quinta-feira, 29 de outubro de 2015

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Artigo Histórico - Revista Bizz de 1987 sobre a Banda Sepultura

Artigo Histórico


Hoje puxamos da estante uma reportagem sobre a banda Sepultura publicada na Revista Bizz de setembro de 1987. O texto foi assinado por Sônia Maia e publicado às vésperas do lançamento do álbum Schizophrenia, numa época em que a banda ainda não tinha chegado ao estrelato internacional, o que aconteceria poucos anos depois. .

Sepultura - Brazilian Speed Metal For Export

Revista Bizz nº 26, setembro de 1987
Autor: Sônia Maia (1987)

Do pé das montanhas de Belo Horizonte, eles rugem um sonoro fuck off! para os metaleiros acerebrados, de olho nos headbangers europeus e americanos que — por incrível que pareça — os aguarda ansiosamente.

Para os leigos — e até para boa parte dos que ouvem heavy metal, mais especificamente os fãs de posers — o estilo se resume a um bando de cabeludos barulhoentos que adoram o diabo. Já alguns críticos de música dizem que o Heavy Metal estaria, atualmente, apontando o caminho da salvação para o rock.

O primeiro caso demonstra uma atitude preconceituosa e desinformada que se expressa, por exemplo, na pouca atenção dadas às atuais releituras do metal. No caso da crítica, são os eternos sedentos por alguma novidade que resolveram eleger o speed-metal como a grande coisa do momento. Grupos como Metallica, Anthrax e Slayer receberam até a deferência de ocupar a capa do semanário New Musical Express há uns quatro meses. Enquanto a paradoxal comédia entre leigos e exacerbados corre solta, a legião de headbanger atentos prossegue. Pelo menos aqui, o reflexo mais evidente disso é o ativo mercado independente, que sobrevive glorioso, sem perdas ou danos, a não ser o fato de continuar isolado.

"O HM chegou errado e distorcido no Brasil", tenta explicar Max, coval e guitarra base do Sepultura — uns mineiros prestes a invadir o mercado europeu e americano. "A mensagem que se trabalha lá fora é diferente", continua. "Aqui o pessoal acha que o som é um incentivo à porrada, quando lá fora é um meio de diversão".

Foi neste contexto que os irmãos Max e Igor resolveram pegar na guitarra e bateria em 1984. Com os ouvidos ligados em Iron Maiden e Venom e, mais tarde, Kreator, Motorhead, Judas Priest e os agrupamentos punk/metal de bandas como English Dogs, mais uma atenção especial ao hardcore, eles montaram o Sepultura com Paulo, que assumiu o baixo, e Jairo na guitarra solo. Depois de algumas divergências de estilo, Jairo deixa o grupo e o paulista Andreas fixa residência em Belo Horizonte para substituí-lo. Hoje bandas como Kreator, Death e Sacrifice estão ligadas no Sepultura.

Mas como esses caras ficaram sabendo da existência destes mineiros? "Não sei quem mandou um disco (Morbid Visions, segundo LP do grupo) para WBCR (rádio nova-iorquina especializada em metal). Logo em seguida estávamos em quinto lugar na parada", diz Max. Daí para a frente foi mero desenrolar natural: cartas e mais cartaz de pedidos de camisetas e buttons (todos desenhados por Igor), um primeiro lugar na rádio Overkill do Canadá e o interesse de várias gravadoras em lançar o grupo no exterior. E quem venceu a última concorrência foi o selo alemão Argh!, que lançou, no mês passado, dez mil cópias de Morbid Visions. Em caso de venda total, o Sepultura terá direito a uma turnê europeia bancada pela gravadora. Caso isso não ocorra, eles vão por conta própria, "para ganhar experiência de palco e produção", como afirma Max.

A história do grupo se resume a três anos de trabalho constante. Eles ensaiam diariamente, todas as tardes, poupando apenas os domingos. Na administração, um esperto selo independente mineiro: a Cogumelo Discos que, além de ser a ponte de todos estes contatos internacionais, mantém o programa Metal Massacre na única rádio rock no Brasil que merece o nome: a Liberdade FM de Belo Horizonte.



Fora isso, os garotos — cuja idade oscila entre 16 e 18 anos — se preparam para lançar, ainda este mês, seu terceiro LP, Schizophrenia. A quem possa interessar, com uma turnê pelas principais capitais brasileiras e interior de São Paulo.

O disco carrega a temática da esquizofrenia, da depressão e do cotidiano de cada um, ligada à rejeição que eles sofrem em seu próprio país. Por isso mesmo todas as letras são em inglês. E, além disso, para que servem os cabelos longos, senão para cobrir a própria face, preservando o espaço vital?


 

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