quinta-feira, 12 de novembro de 2015

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Os Heróis Invisíveis dos Palcos

Roadie

Eles são o sonho de todo músico. Quem trabalha com banda, como eu, não vê a hora de chegar ao sucesso, de viver de música e chegar ao ponto de simplesmente subir ao palco e fazer o show rolar. A verdade é que o roadie é a peça essencial para a banda sentir-se confortável e segura no desenrolar da apresentação. Na biografia da banda irlandesa U2, o baterista confessou só ter se dado conta do sucesso a partir do momento em que não foi mais preciso montar sua bateria. Finalmente era só chegar e tocar! Isso é o que todos os músicos querem.

Backstage de um show em estádio.

Afinal, o que significa Roadie?

Roadie é uma palavra originalmente inglesa, que significa “homem de estrada”, mas também é popularmente conhecida como salva-vidas do músico. Este é o profissional que atende às necessidades do músico, regulando o equipamento de som, afinando os instrumentos, ajustando os retornos, montando a estrutura do palco, alinhando tudo de acordo com o que a banda precisa. Ele também pode trabalhar com iluminação e segurança, além de outras atividades dependendo da apresentação. É trabalho do roadie equilibrar a visão artística e as necessidades dos músicos com a do público e do local.

Hoje em dia já não são só bandas as privilegiadas, mas também artistas solo que tocam em bares, ou que trabalham em festas e eventos, requerem o trabalho de um profissional que entenda toda a dinâmica de uma apresentação em palco. O que alguns não sabem é que, principalmente nas bandas maiores, existe um roadie para cada integrante, além dos auxiliares deles.

O vocalista da banda Ultraje a Rigor, Roger, em entrevista para o site Curso de Roadie, comenta sobre a importância de se ter um: “Há séculos que eu não troco as cordas da guitarra. A ideia é que, quando eu tocar, as cordas já estejam prontas ou o amplificador esteja regulado do jeito que eu gosto. Muitas vezes a gente chega em um lugar e não tem nem tempo.”

Roadie afinando guitarra antes do show.

As grandes bandas contam com uma equipe completa de roadies, acompanhada de produtores musicais, engenheiros de som, relações públicas, enfim… Eles trabalham por toda parte.

Para os que desejam se aventurar na profissão, ou (e) para os fãs de música mesmo, aconselho “devorar” o livro Roadie: A minha vida na estrada com o Coldplay, de Matt McGinn (um dos primeiros roadies da banda inglesa). Vale à pena conhecer a história de um cara que, encontrando uma oportunidade, tornou-se uma peça chave para o crescimento de uma das maiores bandas do mundo. É um livro bem interessante para os exploradores que têm curiosidade de saber como funciona um show em um estádio, ou da quantidade de equipamentos e mão de obra necessárias para fazer tudo acontecer. No livro, Matt descreve toda rotina, contando as dificuldades e os prazeres de participar do processo produtivo nos bastidores, das aventuras na estrada e muito mais.

Foto durante show da banda Coldplay e Capa do livro de Matt McGinn.

Diante de tudo isso você pode se perguntar:

Eles têm uma vida normal?

Realmente, roadies viajam muito e seguem o tempo de acordo com as turnês e com a necessidade da banda. Em um trecho, McGinn revela que sim: “Muitos (…) se dão bem fora da estrada e conseguem ter casas, esposas, carros, bebês, vidas reais…”. Mas durante boa parte do livro as histórias épicas na estrada e a emoção do trabalho são postas com maior relevância, até porque são inspiração para que haja uma motivação cada vez maior no trabalho.

O roadie é um músico frustrado?

Bom, praticamente nada nessa vida pode ser generalizado. Mas é certo que muitos roadies foram ou são sim músicos “frustrados”. Ou porque tentaram montar uma banda e não deu certo, ou porque, mesmo conhecendo as técnicas e sabendo colocar cada detalhe do som em seu devido lugar, não tinham o talento necessário para chegar ao sucesso. E então, por entender muito de música e por ter o perfil necessário para ser um bom roadie, é bem provável que muitos começaram assim. O próprio McGinn já teve uma banda quando adolescente, mas não deu muito certo.

Há contradições, é claro. Existiram roadies que se tornaram músicos de sucesso, como David Gilmour (um dos guitarristas do Pink Floyd) ou Krist Novoselic (co-fundador e baixista da banda Nirvana).

O roadie para o Público

Essa é uma visão de quem trabalha com música. Mas e para o público? Como a plateia enxerga esse profissional? Na verdade muita gente nem sequer sabe que existe essa equipe capacitada para fazer com que o som saia perfeito, além da otimização do palco e de toda estrutura que potencializa a performance da banda.

Talvez seja por isso que estes abençoados podem ser considerados Heróis Invisíveis dos Palcos. Invisíveis porque mesmo com todo esse trabalho, é uma função essencial do roadie, ser sigiloso e fazer de tudo para não aparecer no palco. Por isso as roupas pretas. Heróis porque salvam nossas vidas em cada show e nos ajudam a alcançar o sucesso. Boa parte do mérito é deles!

E você? Já viu algum herói invisível em algum show? Matt já havia dito que sentia orgulho da profissão e adorava ser chamado assim. Mas dá algumas dicas do que não fazer para chamar a atenção de um roadie em um show. Aqui vai um trecho do livro pra vocês:

“Se algum dos leitores tiver um amigo que deve ir a um show em breve, por favor, peça educadamente que não gritem coisas como as seguintes na direção do palco antes do show:

‘EI, ROADIE!’. Certo, eu sei que disse que gosto, mas isso é irritante, principalmente com certos sotaques. Vai te catar, eu estou ocupado, e é Sr. Roadie para você, está bem?
‘PALHETA!’, ‘BAQUETA!’ ou, mais frequentemente, ‘SET LIST!’ Desculpem-me, mas não. Onde foram parar os seus modos? Vai passear!
‘NÃO ME IGNOREM, SEUS IDIOTAS, EU VIM DE…’

Já deu pra entender o que quero dizer. Estamos mais do que dispostos a ser simpáticos e dar presentes para todo mundo se eles forem educados, então por que não dizer algo como:

‘COM LICENÇA.’ Assim é bem melhor. Ou ainda…
‘COM LICENÇA, SENHOR.’ Música para os nossos ouvidos!”

Trecho de Roadie: A minha vida na estrada com o Coldplay, de Matt McGinn


Autor: Arthur Santan

Estudante de Publicidade e Propaganda. Baiano Arretado, Músico Compositor, Vocalista e Guitarrista da banda Logomaquia. Apaixonado por comunicação, arte, acarajé, vatapá e uma boa rede debaixo da sombra. Redator Musical do Guia do Explorador.

Fonte: http://www.guiadoexplorador.com.br/


 

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